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A Mula está decepcionada com os governantes do seu mundinho pequeno. É que eles, juntamente com os governantes dos planetas mais próximos, resolveram que deveriam falar a mesma língua.
Cada planeta tinha sua própria cultura, contada em cada detalhe falado. A formação das palavras e das letras, explicava o desenvolvimento de cada uma daquelas culturas, contando sua história silenciosamente nas entrelinhas de cada vocábulo. E isso atrapalhava muito, pois toda vez que havia uma reunião interplanetária para decidir qual seria o próximo planeta menor a ser covardemente explorado, era uma fortuna que se gastava com tradutores intérpretes. Isso não estava certo.
Foi aí que, baseados nos seres “mais inferiores”* já catalogados até então, eles resolveram que iriam falar um só idioma. É genial! Isso apaga de vez os vestígios de qualquer cultura, desmotivando a autoestima geral, economizando grana que seria gasta com tradutores inúteis, e tornando qualquer plano diabólico mais prático (e qualquer povo mais manipulável).
É claro que antes de botar isso em prática, eles observaram algumas culturas que já adotaram tais métodos anteriormente, para analisar as falhas. Foi aí que, reparando no comportamento brasileiro, e no seu vasto vocabulário, decidiram excluir algumas palavras do dicionário, por terem caído no desuso, por não fazerem sentido, ou simplesmente por não condizerem com a realidade.
Confira alguns exemplos:
- ‘Amor’
- ‘Desculpe’
- ‘Obrigado’
- ‘Por favor’
- ‘Supercalifragilicexpiralidocious’… – e a lista continua.
Já que a alma do negócio é economizar, poderiam excluir estas palavras do português também, já que ninguém usa mais… (dignamente)
Enquanto isso, a Mula andou só se ferrando na prova de Exame Neurológico de Excentricidades em Mulas, também conhecido como ENEM**. É que ela é normal demais para ser aceita em sociedade. Tadinha…
*no mundo da Mula, dizer “mais inferiores” não é exagero, considerando-se os fatos.
**não se usa mais esta sigla no planeta da Mula, pois já estava começando a pegar mal, devido a um evento tradicionalmente fracassado e corrupto, ocorrido no planeta terra, o qual tristemente possui a mesma sigla.
Dr. Muthi
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A chuva continua lá fora, em algum lugar. Mas agora a Mulinha descansa ao sol, divagando a respeito dos valores que se aprende na vida – a duras custas – ,e sobre o que realmente é importante na vida da gente.
Ela sabe bem como viver em sociedade, caso precise. E foi pensando no estilo Mula de ser, que eu aprendi certas coisas que provavelmente quase todo mundo já nasceu sabendo (e que eu deveria saber também).
Listá-las-ei:
1 – Mentir convincentemente;
2 – Fingir estar bem sempre;
3 – Sorrir o tempo todo (por mais que isso doa);
4 – Rir de coisas fúteis e desinteressantes;
5 – Responder a perguntas extremamente complexas com palavras fáceis e vazias. (pessoas não tem paciência para entender suas próprias dúvidas);
6 – Degustar sozinho os momentos que requerem muita sensibilidade;
7 – Dividir pensamentos aparentemente insanos somente com cachorros e corujas;
8 – Não pensar alto em línguas estranhas;
9 – Demonstrar satisfação com tudo e todos;
10 – Guardar as lágrimas e gritos para os dias chuvosos e solitários.
Certamente nada disso vai te fazer mais feliz, mas pelo menos, torna a vida social quase possível.
Obrigado Mula!
Dr. Muthi
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Está chovendo, e a Mula foi andar na chuva…
Fico pensando, as vezes, porquê ela gosta tanto de chuva? Vento? Tempestade? Noite, Lua, Estrelas?
A Mula não é deste mundo, eu afirmo a mim mesmo. A Mula entende coisas que ninguém entende, e aquilo que todo mundo entende, ela não entende.
Ela vê as coisas de um jeito diferente, e todo mundo pensa que ela é louca, absurda, estranha… Eu penso que ela é a criatura mais odiável e amável que há. Daquelas que a gente chega a se afastar por medo de não vê-la nunca mais… eu sei, é paradoxal. Tantas coisas nessa vida o são, porque não a Mula?
O estranho é pensar que ela existe, e anda por aí, na chuva, mas não posso vê-la, nem pegar uma carona no seu lombo. As vezes sinto que fui uma bagagem a ser transportada de um lugar para outro, e ela me largou aqui.
A Mula, as vezes a gente não entende… de vez em quando a gente briga com ela por querê-la bem. Mas amá-la, a gente a ama sempre, o tempo todo, porque a Mula é a Mula!
As vezes sonho com a desajeitada Mulinha andando por aqui, ao lado de um cachorro preto e uma coruja branca nas costas.
Quando chega a noite, fico pensando na vida, e vem sempre um anjo dizer que tem coisas que só o tempo faz acontecer. A senhora Mulinha sabe disso…
Dr. Muthi
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Ela estudou durante anos as regras do jogo.
Decorou fórmulas, processos e estratégias.
Deparou-se com todas as situações e encontrou resposta para cada uma delas.
Simulou cada possibilidade, e calculou suas consequencias.
Criou oportunidades não só de conquistar seus objetivos, mas também de controlar todas as outras mulas ao redor.
Preparou-se como ninguém, colocando-se sempre 2 passos a frente de qualquer um que pudesse tentar lhe apresentar algum tipo de oposição.
Depois de anos de muita preparação, e altos investimentos, está pronta para botar seu conhecimento em prática com sucesso!
Só tem um porém…
… agora o jogo mudou.
E agora, Mula?
Dr. Muthi
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Todos os animais resolveram se reunir para fazerem um baile à fantasia. Todos mesmo, até um casal de humanos resolveu participar. Neste baile só havia uma regra: um animal deveria estar fantasiado de outro animal. Acontece que, exceto os humanos, ninguém tem mãos apropriadas para confeccionar fantasias para vestir, então resolveu-se que os convidados iriam passar a festa inteira imitando outro animal e, à meia-noite, cada um diria qual animal estava imitando. A fantasia era essa!
Na grande noite, cada um chegou já fazendo sua imitação escolhida. Os macacos ficavam de braços abertos, como se estivessem batendo asas. Os humanos cheiravam o chão, tal como cachorros. O porco espinho arranhava todo mundo, se esfregando como gato.
Daí chegou a Mula! Normal…
Mas tinha alguma coisa estranha. Ela ficava olhando todo mundo atentamente, enquanto bebia. Passou uns 40 minutos bebendo de tudo, sem parar. De repente ela sai como louca no meio do salão, mexendo com todo mundo. Ela pisou no pé do pato, roubou o copo da tartaruga, falou mal da juba do leão, puxou o rabo da onça. E continuava bebendo sem parar. Ninguém estava entendendo este comportamento desagradável. E o pior ainda estava por vir! Depois de passar a mão na bunda da elefanta, quase no final da festa, a Mula subiu na mesa e começou a dançar, bêbada e louca, chutando os copos e fazendo coreografias obscenas.
Quando ela estava quase começando a tirar a roupa, deu meia-noite, e ela se sentou aliviada. Todos olhavam para ela, perplexos, esperando por uma explicação. A Mula, bêbada e arrependida, olha à sua volta e diz:
- “Da próxima vez eu escolho outro bicho. Fantasia de humano não dá mais!”
Dr. Muthi