As regras do jogo.
22 Outubro 2009, 1:15 am
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Ela estudou durante anos as regras do jogo.

Decorou fórmulas, processos e estratégias.

Deparou-se com todas as situações e encontrou resposta para cada uma delas.

Simulou cada possibilidade, e calculou suas consequencias.

Criou oportunidades não só de conquistar seus objetivos, mas também de controlar todas as outras mulas ao redor.

Preparou-se como ninguém, colocando-se sempre 2 passos a frente de qualquer um que pudesse tentar lhe apresentar algum tipo de oposição.

Depois de anos de muita preparação, e altos investimentos, está pronta para botar seu conhecimento em prática com sucesso!

Só tem um porém…

… agora o jogo mudou.

E agora, Mula?

Dr. Muthi



Festa a Fantasia
24 Fevereiro 2009, 7:10 pm
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Todos os animais resolveram se reunir para fazerem um baile à fantasia. Todos mesmo, até um casal de humanos resolveu participar. Neste baile só havia uma regra: um animal deveria estar fantasiado de outro animal. Acontece que, exceto os humanos, ninguém tem mãos apropriadas para confeccionar fantasias para vestir, então resolveu-se que os convidados iriam passar a festa inteira imitando outro animal e, à meia-noite, cada um diria qual animal estava imitando. A fantasia era essa!

Na grande noite, cada um chegou já fazendo sua imitação escolhida. Os macacos ficavam de braços abertos, como se estivessem batendo asas. Os humanos cheiravam o chão, tal como cachorros.  O porco espinho arranhava todo mundo, se esfregando como gato.

Daí chegou a Mula! Normal…

Mas tinha alguma coisa estranha. Ela ficava olhando todo mundo atentamente, enquanto bebia. Passou uns 40 minutos bebendo de tudo, sem parar. De repente ela sai como louca no meio do salão, mexendo com todo mundo. Ela pisou no pé do pato, roubou o copo da tartaruga, falou mal da juba do leão, puxou o rabo da onça. E continuava bebendo sem parar. Ninguém estava entendendo este comportamento desagradável. E o pior ainda estava por vir! Depois de passar a mão na bunda da elefanta, quase no final da festa, a Mula subiu na mesa e começou a dançar, bêbada e louca, chutando os copos e fazendo coreografias obscenas.

Quando ela estava quase começando a tirar a roupa, deu meia-noite, e ela se sentou aliviada. Todos olhavam para ela, perplexos, esperando por uma explicação. A Mula, bêbada e arrependida, olha à sua volta e diz:

- “Da próxima vez eu escolho outro bicho. Fantasia de humano não dá mais!”

Dr. Muthi



uma estória sem nome, sobre um nome.
19 Dezembro 2008, 11:13 pm
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     Era uma vez um mundinho que ficava bem mais próximo do que imaginamos. Lá morava um ser único e solitário. Chamemos este ser de ‘mula’. A mula era dona do mundo, mas sentia-se deprimida, envolta por tanta monotonia. Nessa época ainda não existiam estrelas, e a lua vagava, tão solitária quanto a mula, pela noite, no céu escuro e liso. Durante o dia, a mula costumava deitar-se na grama e ficar olhando para as nuvens, sentindo o cheiro das flores que lhe rodeavam.

     Eis que ela teve uma idéia espetacular: criou uma varetinha que, quando queimava, formava pequenas nuvenzinhas feitas de uma fumaça que tinha o cheiro das flores (tem gente que chama isso de incenso, hoje em dia). A mula criou isto porque achava que o céu era muito solitário durante a noite, então quis presentear a lua com nuvens, como companhia. Nuvens com o suave odor das flores que ela mais gosta. Esperou então, pacientemente até que a noite chegasse e, no momento certo acendeu seu incenso. Aí ficou esperando que a fumaça subisse e se aglomerasse em grandes nuvens. Mas, infelizmente, isto não foi o que aconteceu. O incenso acabou e a fumaça dispersou. Então a mula dormiu e passou o dia seguinte fabricando um incenso maior. E à noite tentou novamente, mas sem obter êxito. Isto foi se repetindo noite após noite, até que a mula percebeu que teria que fazer uma vareta de incenso que subisse até o céu. E foi o que ela fez: uma vareta tão grande, que demorou um mês inteiro para fabricá-la.

     Ao terminar o trabalho, notou que havia esquecido de fazer o cabinho do incenso, que é aquela parte que não queima. Mas o sol já estava indo embora e a lua chegaria a qualquer instante. Então a mula pensou que não precisaria fazer o cabinho do incenso afinal, queimando-o por inteiro, haveria mais fumaça para se transformar em nuvem. E, ao chegar da lua, a mula acendeu seu incenso descomunal, e ficou segurando-o, em pé. Foi aí que ela notou que havia feito uma vareta grande demais e a ponta do incenso, então acesa, estava acidentalmente cutucando o céu. Começaram então, a aparecer vários pontos luminosos de brasa, no céu. A lua ficou com tanta raiva que foi se tornando cada vez maior e foi avermelhando-se também. A pobre mula, em desespero, esperneava pra lá e pra cá, segurando aquela vareta, perfurando cada vez mais o céu, formando muitos pontos de luz em brasa, e deixando a lua cada vez mais vermelha de raiva.

     Percebendo o erro do desespero, a mula acalmou-se, resgatando todos os pensamentos de sua mente zen. Daí percebeu que se ela segurasse o incenso mas, mantendo-se deitada, a vareta não cutucaria o céu. E foi assim que ela ficou durante horas, deitada, segurando o incenso. Acontece que ela não possui mãos, como nós, e a única forma de segurar o incenso seria pressionando a vareta entre os dois cascos, como se estivesse em posição de oração, e isso cansa depois de tantas horas, ainda mais segurando uma vareta tão pesada. Hmmm… Ah, tem outro jeito, e bem menos cansativo!!! A mula então levou a vareta até a boca e segurou-o com os dentes. Como estava com medo de provocar mais queimaduras no céu da lua, ficou lá deitada, meditando, e paradinha. Mas ao mergulhar naquela madrugada sem fim, acabou adormecendo.

     Na noite seguinte, a lua voltou para pedir desculpas por ter ficado furiosa com a mula. Na verdade, ela queria até mesmo agradecer por ter criado tantos pontos luminosos tão lindos, e que lhe fazem agora companhia naquelas noites frias (chamamos isso de estrelas hoje em dia, e pensamos, equivocadamente,  que elas são imensas bolas de gases inflamados, maiores que o sol). Mas a lua ficou chocada ao ver o estado em que a mula encontrava-se. É que, como a mula não fez o cabinho do incenso, ele foi queimando, queimando, queimando… E ao chegar ao fim, a brasa acabou queimando a cabeça da mula, enquanto ela adormecia em meditação profunda. A lua ficou tão triste e envergonhada que foi ficando menor, magrinha, fininha… até desaparecer.

     Mas todo mês ela volta para ver se a mula já se regenerou, mas vendo que ela continua com a cabeça em chamas, esconde-se de novo. Mesmo assim, uma ou duas vezes por ano, a lua lembra-se da pretensão da mula e enraivece-se, ficando vermelha, mas logo ela se acalma e volta ao normal.

 

Já a mula, coitadinha, nesta estória, só ganhou uma coisa.

 

Um nome lindo: “Mula-Zen-Cabeça”.

 

Dr. Muthi.



Lista de Mentiras e Verdades n.º 01
2 Dezembro 2008, 6:01 am
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I – Dizem que “O amor é cego” – mentira. O amor enxerga tão bem que pode ver até o que os olhos não alcançam. Cega é a paixão, que só consegue ver a parte de fora das pessoas e, das situações, a parte que interessa.

II – “Antes só do que mal-acompanhado” – contradição. Se isto fosse mesmo verdade, iríamos a uma biblioteca ou ao parque em vez de irmos ao trabalho ( principalmente quem trabalha em contato direto com o público ).

III – “Bebida alcoólica destrói famílias” – hipocrisia. Eu bebo desde moleque ( e olha que isso já faz um tempão ), e até agora não aconteceu absolutamente nada de errado. Graças a Deus? Não! Graças ao respeito que eu tenho por mim e pela minha família. O que faz mal é a falta de vergonha na cara de certos indivíduos, que acabam viciando-se no álcool e tornando a vida dos familiares um inferno.

IIII – “Álcool e volante não combinam” - verdade. Não pense que só porque teu carro bebe álcool, que você poderá sair por aí fazendo o mesmo e depois ( tentar ) dirigir. Se você pensa assim, tome uma dose de bom-senso e tenha um pingo de respeito pelo amor-próprio alheio.

V – “Cigarro é prejudicial à saúde” – Aff… (e precisa comentar?). Quem fuma tem sempre a plena consciência do mal que faz a si. Mas nunca ao mal que faz aos outros ( este é o problema )…

VI – Mula-sem-cabeça não tem cabeça – incógnita. O fato de um animal não ter a cabeça grudada ao corpo, não prova que o mesmo não tem cabeça. Dizem, inclusive, que flutua por aí, uma cabeça de mula mordendo incensos e pensando besteiras todo o tempo… Mas não há provas. Apenas rumores e suposições…

 

Dr. Muthi

p.s.: detesto quado me dizem pra parar de fumar… ( insanidade??? )



e-mail para Mamãe-Noel.
21 Novembro 2008, 7:03 am
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Querida Mamãe-Noel.
 
Eu ia te mandar uma cartinha pedindo o meu presente, mas como os Correios vivem fazendo greve, estou mandando um e-mail mesmo, que é mais garantido. Espero que tenha internet aí no Polo Norte, porque nesse frio dos infernos não deve ter nada mais interessante pra fazer do que ficar com a bunda congelada na cadeira, acessando seus e-mails, sites pornô, blog da Ana Maria Braga, MSN e Orkut.
Bem, eu estava pensando em te pedir uma namorada, mas com essa #&%@ de crise mundial, achei melhor mudar de idéia – sabe como é, as namoradas dão muita despesa, e o negócio agora é não gastar. Um carro também seria legal, mas com o incentivo ao uso de fontes de energia limpa, o preço da gasolina vai subir (apesar do que, independentemente disso, a temperatura do planeta vai continuar subindo também).
Pensei na tua sugestão sobre o jogo de Dominó, mas não acho legal não. Dominó está fora de moda e, além do mais, eu nunca ganho as partidas (mesmo quando jogo sozinho).

Sei lá, já pensei em milhões de presentes pra você me dar, mas nenhum me parece adequado.
Brinquedo não dá mais, estou velho pra isso;
Animais de estimação fazem cocô;
Livros só se usa uma vez;
Roupas usa-se várias, mas não tem graça ganhar roupa;
Cd de música não precisa, porque eu baixo tudo de graça pela internet em mp3.
Enfim…
Não há nada que eu ache legal, ou que esteja realmente precisando…

(…) “Precisando…”

Sabe, Mamãe-Noel, acho que já decidi o que vou querer:
Em vez de você me dar algum presente, não o dê a mim, mas sim a alguém que realmente precisa.
Dê um pai adotivo para alguma criança órfã; empregos aos que querem trabalhar; alimentos pra quem não tem; brinquedos para as crianças cujos pais não podem dar isso a elas. Acho que não é pedir demais né? Seria, resumidamente, ‘o básico a todos’, o que acha?

Porque o &*$%# #@ %$&@ do teu marido só dá presente pra riquinho, tá sabendo? E isso é uma %$#@ d’uma falta de consideração.
Na era em que estamos vivendo não dá mais pra excluir as pessoas por causa da raça; cor; necessidades especiais; opção sexual; religião ou condição social.
Portanto, manda esse Papai-Noel capitalista se aposentar para sempre, e veja se conserta a %$&#@ que ele andou fazendo todos esses anos, por favor.

Aguardo tua resposta numa meia pendurada no varal, porque eu moro no Brasil, e não preciso de lareira.
Ah, inclusive, acho que você poderia passar umas férias de fim de ano num país tropical, pra variar. Você até poderia passar o Natal aqui e dar umas férias para tuas renas, substituindo-as por mulas, que são bem mais inteligentes (elas estão mesmo precisando de emprego pois, lá no nordeste, estão sendo substituídas por motocicletas, o que causa uma falsa impresssão de status). E caso você veja carroças parecidas com a tua por aí, não se preocupe pois não são seus concorrentes. São os catadores de alumínio e papelão, que circulam com seus trenós o ano todo para tentarem dar aos seus filhos aquilo que o teu marido nunca deu e que eu tive que vir aqui pra te pedir.

Minhas gratidões.

Beijos, e até o próximo Natal.

 

Dr. Muthi